Como construir sua autoridade digital sem ferir a ética médica

A presença digital deixou de ser um diferencial e passou a fazer parte da realidade da medicina contemporânea. Hoje, as redes sociais, os sites e os canais de conteúdo funcionam como uma extensão da imagem profissional do médico, uma espécie de novo currículo, acessível a pacientes, colegas e instituições.

No entanto, junto com as oportunidades, surgem dúvidas legítimas:

  • Como se posicionar no digital sem ultrapassar os limites éticos?
  • É possível construir autoridade sem transformar a medicina em publicidade?

A resposta é sim, desde que o propósito da comunicação seja claro. Vamos entender melhor?

O digital como ferramenta de educação e confiança

Estar presente nas redes sociais é absolutamente legítimo para o médico, desde que a comunicação tenha como base três pilares fundamentais:

  • educar a população;
  • informar com responsabilidade;
  • gerar confiança por meio do conhecimento.

A autoridade médica não nasce da autopromoção, mas da capacidade de traduzir ciência em informação acessível, mantendo o respeito à profissão e à relação médico-paciente.

O que o Código de Ética Médica permite e o que veda

A atuação digital do médico é regulamentada pelo Código de Ética Médica, conforme a Resolução CFM nº 2.336/2023, que estabelece limites claros para a publicidade médica.

De acordo com a norma, é vedada qualquer comunicação que:

  • explore a imagem do paciente sem consentimento formal e específico;
  • prometa resultados, garantias de cura ou previsões de eficácia;
  • cite ou promova marcas comerciais;
  • utilize comparações de “antes e depois” sem descrição clara do quadro clínico, do tratamento realizado e, principalmente, com promessa de resultado.

Essas restrições existem para proteger não apenas o paciente, mas também a credibilidade da medicina como ciência.

Comunicação médica não é venda

Um dos principais erros no ambiente digital é confundir presença com promoção comercial. O médico pode e deve se comunicar, mas sempre com o objetivo de informar, jamais de vender procedimentos, tratamentos ou resultados.

Quando o foco está na educação em saúde, o conteúdo naturalmente constrói autoridade, fortalece a reputação profissional e gera reconhecimento, sem ferir princípios éticos.

Autoridade vai além dos números

No ambiente digital, é comum associar relevância à quantidade de seguidores. No entanto, na medicina, autoridade não se mede por métricas superficiais. Ela é construída por meio de:

  • consistência técnica;
  • clareza na comunicação;
  • responsabilidade científica;
  • coerência entre discurso e prática.

Médicos que comunicam com ética constroem vínculos mais sólidos, duradouros e confiáveis.

Ética não limita, protege e fortalece

Compreender as regras da ética médica não restringe a presença digital. Pelo contrário: amplia o alcance com segurança jurídica, fortalece a reputação profissional e preserva a essência da medicina. No digital, autoridade verdadeira não se impõe, ela é reconhecida.

Gostou desse conteúdo? Compartilhe com um colega.

Copyright 2024 – Grilo Comunicação
Abrir bate-papo
Olá
Podemos ajudá-lo?